Jeje é o nome que se deu no Brasil aos povos que vinham do antigo reino do Daomé — o atual Benim — e das terras vizinhas: fons, ewes, mahis. Falavam o fon (fongbe) e o ewe, e trouxeram o culto dos voduns (leia Voduns: as divindades do candomblé jeje). As casas jeje mais antigas do país são a Casa das Minas, em São Luís do Maranhão, e o Bogum, em Salvador; em Cachoeira, no Recôncavo, fica a Roça do Ventura (Seja Hundé).
O historiador Luis Nicolau Parés mostrou que o jeje foi decisivo na formação do próprio candomblé — muitas palavras usadas até nas casas ketu vêm do fon. Este pequeno dicionário reúne as mais conhecidas. A grafia e a pronúncia variam de casa para casa.
As pessoas e os lugares
- Vodum (vodun) — divindade; o equivalente jeje dos orixás;
- Vodunsi — pessoa iniciada para o vodum;
- Gaiaku, Doné — títulos de sacerdotisas que dirigem casas jeje na Bahia;
- Doté — título de sacerdote;
- Kwe — casa — por isso o nome de muitos terreiros jeje começa assim;
- Huntó (runtó) — o tocador-chefe dos tambores.
Palavras jeje que todo terreiro usa
- Rum, rumpi e lé — os nomes dos três atabaques vêm do fon hun, «tambor» — mesmo nas casas ketu;
- Gan — o sino de ferro tocado com uma vareta, parente do agogô;
- Kolofé — pedido de bênção, no jeje (no ketu se diz motumbá; no Angola, mukuiu).
Os voduns mais conhecidos
- Mawu-Lissa — o casal criador, a lua e o sol;
- Legba — o mensageiro, dos caminhos (próximo de Exu — leia Exu, o orixá mensageiro);
- Gu — o ferro (próximo de Ogum);
- Sakpatá — a terra e as doenças (próximo de Omolu — leia Omolu e Obaluaiê);
- Heviossô — o trovão (próximo de Xangô);
- Dan, Bessém — a serpente e o arco-íris (próximo de Oxumarê — leia Oxumarê, o orixá do arco-íris);
- Loko — a árvore sagrada, a gameleira;
- Agué — a mata e as folhas;
- Nanã — a mais velha, cultuada tanto no jeje quanto no ketu (leia Nanã, a orixá mais velha).
Na Casa das Minas
Na Casa das Minas, o etnógrafo Sergio Ferretti registrou palavras próprias da casa: o vodum dono do terreiro é Zomadonu — por isso o nome Querebentã de Zomadonu — e as tobossis são entidades femininas e infantis que eram recebidas pelas vodunsis mais antigas.
Leia também
- Voduns: as divindades do candomblé jeje
- A nação jeje e sua origem
- Dicionário iorubá do candomblé
- Dicionário banto
Fontes
- Luis Nicolau Parés — A formação do candomblé: história e ritual da nação jeje na Bahia (Editora da Unicamp, 2006)
- Sergio Ferretti — Querebentã de Zomadonu: etnografia da Casa das Minas do Maranhão (EDUFMA, 1985)
- Yeda Pessoa de Castro — Falares Africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro (Topbooks, 2001)
- Olga Gudolle Cacciatore — Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros (Forense Universitária, 1977)






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