Acervo das religiões afro-brasileiras desde 2012

Portal Afroxé

O maior portal das religiões afro do Brasil

,

Dicionário jeje: as palavras de origem fon do candomblé

Livro aberto com cabaça, sino de ferro, contas e búzios numa casa de São Luís

Jeje é o nome que se deu no Brasil aos povos que vinham do antigo reino do Daomé — o atual Benim — e das terras vizinhas: fons, ewes, mahis. Falavam o fon (fongbe) e o ewe, e trouxeram o culto dos voduns (leia Voduns: as divindades do candomblé jeje). As casas jeje mais antigas do país são a Casa das Minas, em São Luís do Maranhão, e o Bogum, em Salvador; em Cachoeira, no Recôncavo, fica a Roça do Ventura (Seja Hundé).

O historiador Luis Nicolau Parés mostrou que o jeje foi decisivo na formação do próprio candomblé — muitas palavras usadas até nas casas ketu vêm do fon. Este pequeno dicionário reúne as mais conhecidas. A grafia e a pronúncia variam de casa para casa.

As pessoas e os lugares

  • Vodum (vodun) — divindade; o equivalente jeje dos orixás;
  • Vodunsi — pessoa iniciada para o vodum;
  • Gaiaku, Doné — títulos de sacerdotisas que dirigem casas jeje na Bahia;
  • Doté — título de sacerdote;
  • Kwe — casa — por isso o nome de muitos terreiros jeje começa assim;
  • Huntó (runtó) — o tocador-chefe dos tambores.

Palavras jeje que todo terreiro usa

  • Rum, rumpi e lé — os nomes dos três atabaques vêm do fon hun, «tambor» — mesmo nas casas ketu;
  • Gan — o sino de ferro tocado com uma vareta, parente do agogô;
  • Kolofé — pedido de bênção, no jeje (no ketu se diz motumbá; no Angola, mukuiu).

Os voduns mais conhecidos

  • Mawu-Lissa — o casal criador, a lua e o sol;
  • Legba — o mensageiro, dos caminhos (próximo de Exu — leia Exu, o orixá mensageiro);
  • Gu — o ferro (próximo de Ogum);
  • Sakpatá — a terra e as doenças (próximo de Omolu — leia Omolu e Obaluaiê);
  • Heviossô — o trovão (próximo de Xangô);
  • Dan, Bessém — a serpente e o arco-íris (próximo de Oxumarê — leia Oxumarê, o orixá do arco-íris);
  • Loko — a árvore sagrada, a gameleira;
  • Agué — a mata e as folhas;
  • Nanã — a mais velha, cultuada tanto no jeje quanto no ketu (leia Nanã, a orixá mais velha).

Na Casa das Minas

Na Casa das Minas, o etnógrafo Sergio Ferretti registrou palavras próprias da casa: o vodum dono do terreiro é Zomadonu — por isso o nome Querebentã de Zomadonu — e as tobossis são entidades femininas e infantis que eram recebidas pelas vodunsis mais antigas.

Leia também

Fontes

  • Luis Nicolau Parés — A formação do candomblé: história e ritual da nação jeje na Bahia (Editora da Unicamp, 2006)
  • Sergio Ferretti — Querebentã de Zomadonu: etnografia da Casa das Minas do Maranhão (EDUFMA, 1985)
  • Yeda Pessoa de Castro — Falares Africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro (Topbooks, 2001)
  • Olga Gudolle Cacciatore — Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros (Forense Universitária, 1977)

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Os comentários passam por aprovação antes de aparecer. Respeito a todas as casas e tradições.

Receba as novidades

Artigos, notícias e eventos do axé no seu e-mail.

Leia também

Editorias

Da Biblioteca do Axé

Estrela MísticaEstrela MísticaMagia, espiritualidade e autoconhecimento: chamas gêmeas, numerologia, mantras, cristais e rituais.Conhecer a Estrela Mística

Do acervo

Continue lendo