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Ilê Axé Opô Afonjá: a casa de Xangô de Mãe Aninha e Mãe Stella

Barracão do Ilê Axé Opô Afonjá, casa branca de portas vermelhas, em Salvador

No bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador, uma grande área verde guarda uma das casas mais respeitadas do candomblé: o Ilê Axé Opô Afonjá. É casa de Xangô (leia Xangô, o orixá da justiça e do trovão) e uma das três grandes herdeiras da Casa Branca do Engenho Velho, ao lado do Gantois.

Mãe Aninha, a fundadora

O terreiro foi fundado em 1910 por Eugênia Ana dos Santos, a Mãe Aninha, filha de africanos e iniciada na Casa Branca (leia Casa Branca do Engenho Velho). Mulher de comércio e de muita visão, ela comprou o terreno de São Gonçalo e organizou ali uma comunidade inteira, com casas para os orixás e para as famílias que viviam no terreiro. Também abriu uma casa no Rio de Janeiro.

Mãe Aninha defendia um candomblé fiel às raízes africanas e lutou para que fosse respeitado numa época de perseguição policial. Em 1937, participou do Segundo Congresso Afro-Brasileiro, em Salvador, organizado pelo pesquisador Edison Carneiro. Foi também ela quem criou, nos anos 1930, o corpo dos Obás de Xangô: doze ministros do orixá, título de honra dado a amigos e protetores da casa — mais tarde, escritores e artistas como Jorge Amado receberam esse posto.

As iyalorixás que vieram depois

  • Mãe Bada (Maria da Purificação Lopes), que sucedeu Aninha após sua morte, em 1938;
  • Mãe Senhora (Maria Bibiana do Espírito Santo), filha de Oxum, que dirigiu a casa por cerca de 25 anos e foi mãe de santo do fotógrafo e etnólogo Pierre Verger;
  • Mãe Ondina (Ondina Valéria Pimentel);
  • Mãe Stella de Oxóssi (Maria Stella de Azevedo Santos), que dirigiu o Opô Afonjá de 1976 até sua morte, em 2018 (leia Oxóssi, o orixá caçador);
  • e, desde então, Mãe Ana de Xangô.

Mãe Stella, a escritora

Mãe Stella foi uma das vozes mais importantes do candomblé no século XX. Escreveu livros, defendeu que o candomblé é religião própria — e não uma mistura com o catolicismo — e, em 1983, assinou com outras iyalorixás de Salvador um manifesto contra o sincretismo. Em 2013, tornou-se a primeira iyalorixá eleita para a Academia de Letras da Bahia.

Patrimônio do Brasil

O Opô Afonjá foi tombado pelo IPHAN em 2000, depois da Casa Branca (leia Gantois e Mãe Menininha para a história das casas irmãs). A comunidade mantém no terreiro uma escola e um museu, o Ilê Ohun Lailai. Como toda casa de axé, é um templo vivo: quem visita em dia de festa pública vai de roupa clara e segue as orientações da casa. Os fundamentos pertencem à comunidade e são ensinados por ela.

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Fontes

Foto da capa: Paul R. Burley — Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

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