Omolu, também chamado de Obaluaiê, é o orixá da terra, das doenças e da cura. É temido e amado ao mesmo tempo: quem traz a doença é também quem leva a saúde. Coberto da cabeça aos pés pela palha da costa, ele guarda um mistério — e um brilho — que poucos podem ver.
Quem é Omolu
Os dois nomes falam do mesmo orixá. Obaluaiê quer dizer «rei, senhor da terra»; Omolu, «filho do senhor». Em muitas casas, Obaluaiê é a forma jovem e Omolu, a velha. Na terra iorubá, ele é ligado a Xapanã (Ṣọpọná), divindade da varíola; no jeje, ao vodum Azoani; no Angola, ao nkisi Kavungo. As histórias registradas por Reginaldo Prandi o apresentam como filho de Nanã, criado por Iemanjá, e irmão de Oxumarê.
O mito: a palha e o vento de Iansã
Prandi reuniu a história que explica a palha. Omolu tinha o corpo marcado pelas feridas da doença e, por vergonha, não dançava nas festas dos orixás. Ogum lhe fez uma roupa de palha que o cobria inteiro, e assim ele pôde entrar na roda. Ainda assim, ficava num canto, sem se aproximar.
Iansã, a dona dos ventos, quis vê-lo dançar. Soprou um vento forte, e a palha se levantou. Por baixo dela, as feridas tinham virado luz: Omolu brilhava como o sol. Desde então, contam, os dois são amigos, e Iansã é das poucas que conhecem o rosto dele.
Símbolos, cores, dia e saudação
- Cores: preto, vermelho e branco (a palha da costa por cima);
- Dia: segunda-feira;
- Saudação: Atotô! — «silêncio!», em respeito a ele;
- Símbolo: o xaxará, feixe de nervuras de palmeira enfeitado de búzios e contas;
- Elementos: a terra, a palha, a pipoca — o doburu, chamado de «flor de Omolu».
Cores, dias, saudações e oferendas variam de nação para nação e de casa para casa. O que está aqui é o mais comum no candomblé de nação ketu e na Umbanda; o fundamento de cada orixá é ensinado dentro de cada terreiro, pelo sacerdote ou pela sacerdotisa da casa.
Omolu no Brasil
A grande festa de Omolu é o Olubajé, o banquete do Rei da Terra, em que a comida é servida em folhas de mamona e partilhada por todos (leia Olubajé, o banquete do Rei da Terra). No sincretismo, foi aproximado de São Lázaro e de São Roque, santos dos doentes; em agosto, mês dele em muitas casas, o banho de pipoca é feito para limpar e proteger. Na Umbanda, Obaluaiê é chamado nas horas de doença, e seus pontos falam de cura e de caridade.
Cante para Omolu
A cantiga do Olubajé é a segunda mais vista do canal do Portal, com mais de 235 mil visualizações:
Leia também
- Olubajé, o banquete do Rei da Terra
- Iansã, a orixá dos ventos
- Iemanjá, a orixá mãe das águas
- As principais nações de Candomblé
Fontes
- Reginaldo Prandi — Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras, 2001)
- Pierre Fatumbi Verger — Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo (Corrupio, 1981)






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