Iemanjá é a grande mãe. No Brasil, é a rainha do mar e a mãe de muitos orixás; na terra iorubá, é a senhora do rio Ogum, que corre pela região de Abeokuta, na Nigéria, até o oceano. Seu nome vem de Yèyé omo ejá, «mãe cujos filhos são peixes». É, talvez, a orixá mais conhecida do país — inclusive por quem nunca entrou num terreiro.
Quem é Iemanjá
Iemanjá é uma das iyabás, as orixás femininas (leia As Iyabás). Representa a maternidade, o cuidado, a família e a proteção da cabeça — o ori — de seus filhos. É acolhedora, mas também firme: as águas que embalam são as mesmas que se agitam quando ela se zanga.
O mito: a garrafa de Olokun
Pierre Verger reuniu a história de Iemanjá contada em terra iorubá. Filha de Olokun, o dono do mar, ela se casou e, infeliz, decidiu ir embora. Antes, Olokun lhe deu uma garrafa com um preparado e um conselho: se um dia estivesse em perigo, deveria quebrá-la no chão.
Na fuga, o marido, Okerê, foi atrás dela. Iemanjá quebrou a garrafa, e na hora nasceu um rio, que a levou em direção ao oceano, para a casa do pai. Okerê, que também tinha poder, transformou-se numa colina para barrar o caminho das águas. Iemanjá pediu socorro a Xangô, que lançou um raio e partiu a colina ao meio. O rio passou, e Iemanjá chegou ao mar. É por isso, contam, que ela é ao mesmo tempo senhora de um rio e rainha do mar.
Símbolos, cores, dia e saudação
- Cores: azul-claro, branco e prata;
- Dia: sábado;
- Saudação: Odoyá! — «mãe do rio»;
- Símbolo: o abebé prateado, leque redondo com espelho;
- Elementos: o mar, as conchas, as pérolas, as flores brancas, os barcos de oferenda.
Cores, dias, saudações e oferendas variam de nação para nação e de casa para casa. O que está aqui é o mais comum no candomblé de nação ketu e na Umbanda; o fundamento de cada orixá é ensinado dentro de cada terreiro, pelo sacerdote ou pela sacerdotisa da casa.
Iemanjá no Brasil
Todo 2 de fevereiro, o bairro do Rio Vermelho, em Salvador, recebe uma das maiores festas populares do país: milhares de pessoas levam flores, perfumes e presentes que os pescadores carregam em barcos até o mar (leia Iemanjá: Rainha do Mar). No Rio de Janeiro e em todo o litoral, a passagem do ano virou também festa dela, com roupa branca, flores na água e os famosos «pulinhos das sete ondas». No sincretismo, foi aproximada de Nossa Senhora dos Navegantes, das Candeias e da Conceição, conforme a região. Na Umbanda, Iemanjá governa o povo do mar e é chamada de mãe por todos.
Cante para Iemanjá
Leia também
- Iemanjá: Rainha do Mar
- Oxum, a orixá das águas doces
- Xangô, o orixá da justiça e do trovão
- As Iyabás
Fontes
- Pierre Fatumbi Verger — Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo (Corrupio, 1981)
- Pierre Fatumbi Verger — Lendas Africanas dos Orixás (Corrupio)
- Reginaldo Prandi — Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras, 2001)






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