Logunedé é o jovem príncipe do axé: filho de Oxum e de um caçador, junta numa pessoa só a riqueza do rio e a astúcia da mata. Belo, alegre, esperto e cheio de charme, é o orixá da juventude e da abundância que vem das duas fontes. Sua saudação é Lossi, Lossi!
Quem é Logunedé
O nome Lógun Ẹdẹ vem da cidade de Ilexá, na terra ijexá, onde corre o rio de Oxum (leia Oxum, a orixá das águas doces). Pierre Verger registra que ele é filho de Oxum e de Erinlé (Inlé), um orixá caçador ligado às águas; no Brasil, a tradição mais comum diz que o pai é Oxóssi (leia Oxóssi, o orixá caçador). Por isso Logunedé usa ao mesmo tempo o arco do caçador e o leque dourado da mãe.
O mito: meio ano no rio, meio ano na mata
Verger descreve a natureza dupla de Logunedé numa imagem que ficou famosa nos terreiros: por um tempo, ele vive na mata com o pai, caçando e comendo caça; por outro tempo, vive no rio com a mãe, pescando e comendo peixe. Muitas casas contam que são seis meses de cada lado. Dessa alternância vem a sua fama: Logunedé é o que se adapta, o que circula entre mundos diferentes sem deixar de ser ele mesmo.
Por essa natureza dupla, muitas casas também dizem que Logunedé reúne o masculino do pai e o feminino da mãe — um traço que ele divide com Oxumarê.
Símbolos, cores, dia e saudação
- Cores: azul-turquesa e amarelo-ouro (as cores do pai e da mãe juntas);
- Dia: quinta-feira, junto de Oxóssi;
- Saudação: Lossi, Lossi! (Logun ô akofá!);
- Símbolos: o ofá (arco e flecha) e o abebé dourado;
- Elementos: o rio e a mata, o peixe e a caça, o ouro.
Cores, dias, saudações e oferendas variam de nação para nação e de casa para casa. O que está aqui é o mais comum no candomblé de nação ketu e na Umbanda; o fundamento de cada orixá é ensinado dentro de cada terreiro, pelo sacerdote ou pela sacerdotisa da casa.
Logunedé no Brasil
Logunedé é muito cultuado nas casas de nação ketu e ijexá, sobretudo em Salvador. Por ser o orixá jovem, é querido pelas crianças e pelos jovens de axé. No sincretismo, foi aproximado de santos jovens, como Santo Expedito, em alguns lugares. Na Umbanda, aparece pouco e costuma ser lembrado na linha de Oxóssi.
Cante para Logunedé
Leia também
- Oxum, a orixá das águas doces
- Oxóssi, o orixá caçador
- Oxumarê, o orixá do arco-íris
- As principais nações de Candomblé
Fontes
- Pierre Fatumbi Verger — Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo (Corrupio, 1981)
- Reginaldo Prandi — Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras, 2001)






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