Nanã é a mais velha das orixás. É a dona da lama do fundo dos lagos, das águas paradas e do barro de onde, contam os iorubás, a humanidade foi feita. Sábia, lenta e respeitada por todos, ela guarda a memória do começo da vida — e também o seu fim, porque é à terra dela que todos voltam.
Quem é Nanã
Nanã (Nàná Buruku) é cultuada em toda a região do golfo do Benim, entre iorubás e fons; muitos estudiosos a consideram anterior aos próprios orixás iorubás (leia Deuses primordiais da mitologia africana). É uma das iyabás (leia As Iyabás), a avó de todas. Nas histórias registradas por Reginaldo Prandi, é mãe de Omolu e de Oxumarê. É ligada à morte e ao renascimento, à paciência e à sabedoria dos mais velhos.
O mito: o barro que volta para casa
Prandi recolheu a história que dá a Nanã o seu lugar na criação. Quando Oxalá recebeu a tarefa de fazer os seres humanos, tentou vários materiais: o ar, a madeira, a pedra, o fogo, a água. Nada dava certo. Nanã, então, mergulhou no fundo do lago e lhe deu um pouco da sua lama. Com ela, Oxalá modelou o ser humano, e Olodumarê soprou a vida (leia Oxalá, o orixá da criação).
Mas Nanã deu o barro com uma condição: ele teria de voltar para ela. Por isso, contam, quando a pessoa morre, o corpo volta à terra — o barro devolvido à sua dona. Em outra história, registrada por Pierre Verger, Nanã se desentende com Ogum e passa a recusar o ferro; por isso, em muitas casas, nada de metal toca as suas oferendas.
Símbolos, cores, dia e saudação
- Cores: lilás, roxo e branco (em algumas casas, azul e branco);
- Dia: varia conforme a casa — sábado, segunda ou terça-feira;
- Saudação: Saluba Nanã!;
- Símbolo: o ibiri, feixe curvo de nervuras de palmeira enfeitado de búzios;
- Elementos: a lama, o barro, as águas paradas, os pântanos e os lagos.
Cores, dias, saudações e oferendas variam de nação para nação e de casa para casa. O que está aqui é o mais comum no candomblé de nação ketu e na Umbanda; o fundamento de cada orixá é ensinado dentro de cada terreiro, pelo sacerdote ou pela sacerdotisa da casa.
Nanã no Brasil
No sincretismo, Nanã foi aproximada de Sant’Ana, a avó de Jesus — a mais velha entre as santas, como ela entre as orixás. O 26 de julho, dia de Sant’Ana, é dia de festa para Nanã em muitos terreiros. Na Umbanda, é a mãe sábia e serena das águas paradas, chamada nas horas de passagem e de recolhimento.
Cante para Nanã
Leia também
- Oxalá, o orixá da criação
- Deuses primordiais da mitologia africana
- As Iyabás
- Ogum, o orixá do ferro e dos caminhos
Fontes
- Reginaldo Prandi — Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras, 2001)
- Pierre Fatumbi Verger — Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo (Corrupio, 1981)






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