Oxumarê é o arco-íris e a serpente: o orixá do movimento que não para, dos ciclos, da renovação e da riqueza. Quando o arco-íris aparece no céu depois da chuva, muita gente de axé saúda: Arroboboi!
Quem é Oxumarê
Oxumarê (Ọ̀ṣùmàrè) liga o céu e a terra. É ele quem leva a água da terra para as nuvens, para que ela volte como chuva — o ciclo que mantém a vida. Por isso é o orixá da continuidade: o que vai, volta. É representado pela serpente que morde a própria cauda e pelo arco-íris. Em muitas histórias, é filho de Nanã e irmão de Omolu. Na nação jeje, a mesma força é cultuada como o vodum Dan (Bessém), a serpente sagrada (leia A nação jeje e sua origem).
Uma das suas marcas é a dualidade: nas tradições do povo de axé, Oxumarê é masculino e feminino ao mesmo tempo — por seis meses de um jeito, por seis meses de outro, como contam os mais velhos.
O mito: o babalaô que ficou rico
Pierre Verger registrou a história que explica por que Oxumarê é o orixá da riqueza. Ele era babalaô — sacerdote de Ifá — de um rei que o pagava muito mal, e vivia na pobreza. Seguindo o conselho do oráculo, fez as oferendas indicadas. Pouco depois, foi chamado por uma rainha poderosa para tratar de um filho doente. Conseguiu ajudar e foi recompensado com riquezas. Quando o rei viu o seu babalaô vestido com luxo, envergonhado, passou também a pagá-lo como merecia. Desde então, Oxumarê não conheceu mais a pobreza.
Símbolos, cores, dia e saudação
- Cores: verde e amarelo (as cores do arco-íris, em algumas casas);
- Dia: terça-feira;
- Saudação: Arroboboi!;
- Símbolos: a serpente, o arco-íris e o ebiri de metal em forma de cobra;
- Elementos: a chuva, o arco-íris, a água que sobe e desce, as riquezas.
Cores, dias, saudações e oferendas variam de nação para nação e de casa para casa. O que está aqui é o mais comum no candomblé de nação ketu e na Umbanda; o fundamento de cada orixá é ensinado dentro de cada terreiro, pelo sacerdote ou pela sacerdotisa da casa.
Oxumarê no Brasil
No sincretismo, Oxumarê foi aproximado de São Bartolomeu. Em Maragogipe e em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, o dia do santo, 24 de agosto, é também festa do orixá. Na Umbanda, Oxumarê aparece nos pontos que falam de renovação e de arco-íris, ligado à linha das águas.
Cante para Oxumarê
Leia também
- A nação jeje e sua origem
- Xangô, o orixá da justiça e do trovão
- Oxum, a orixá das águas doces
- As principais nações de Candomblé
Fontes
- Pierre Fatumbi Verger — Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo (Corrupio, 1981)
- Pierre Fatumbi Verger — Lendas Africanas dos Orixás (Corrupio)
- Reginaldo Prandi — Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras, 2001)






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