A Umbanda é a religião que nasceu no Brasil. Reúne heranças africanas, indígenas, católicas e espíritas numa mesma gira, e organiza o mundo espiritual em linhas e falanges de entidades: Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Exus, Pombagiras e muitos outros. Entender essas linhas é o primeiro passo para entender a Umbanda.
Como a Umbanda começou
A tradição umbandista marca o começo em 15 de novembro de 1908, em Niterói, quando o jovem Zélio Fernandino de Moraes recebeu o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que anunciou uma religião aberta a todos. Os historiadores, como Renato Ortiz e Lísias Negrão, mostram que a Umbanda se formou sobretudo nas décadas de 1920 e 1930, no Rio de Janeiro e em São Paulo, a partir das macumbas cariocas de raiz banto, do espiritismo de Kardec e do catolicismo popular (leia Umbanda: uma religião brasileira).
As linhas
Desde os primeiros livros umbandistas, fala-se em sete linhas, em geral chefiadas por orixás — Oxalá, Iemanjá, Xangô, Ogum, Oxóssi e outros —, mas a lista muda de autor para autor e de casa para casa. Na prática, o que todo terreiro reconhece são os grupos de entidades que «baixam» nas giras.
As entidades
- Caboclos — espíritos de indígenas, das matas; trazem força, cura e firmeza (linha de Oxóssi);
- Pretos Velhos — espíritos de africanos escravizados, sábios e pacientes; dão conselho e consolo — o 13 de maio é o dia deles;
- Crianças (Erês, Ibejada) — espíritos alegres e puros; a festa é em 27 de setembro, dia de Cosme e Damião;
- Exus e Pombagiras — a linha da «esquerda»: guardiões dos caminhos e das encruzilhadas, que protegem e cortam o mal — não são demônios (leia Pontos no reino das Pombagiras);
- Baianos, Boiadeiros e Marinheiros — espíritos do povo trabalhador do Brasil, alegres e diretos;
- Ciganos e Malandros — linhas que entraram mais tarde em muitas casas, ligadas à sorte, à alegria e à malandragem que sabe se virar.
Palavras da Umbanda
- Gira — a sessão em que as entidades se manifestam;
- Congá — o altar (leia Os fundamentos do congá na Umbanda);
- Ponto cantado / ponto riscado — a cantiga que chama a entidade / o desenho que a identifica;
- Passe e consulta — o atendimento das entidades a quem procura a casa;
- Cambono — quem auxilia as entidades durante a gira;
- Guia — o colar de contas, nas cores da linha.
Cada casa tem os seus fundamentos, ensinados pelo dirigente — o sacerdote ou a sacerdotisa — a quem frequenta o terreiro.
Ouça um ponto
Leia também
- Umbanda: uma religião brasileira
- Os fundamentos do congá na Umbanda
- Exu, o orixá mensageiro
- A influência dos orixás sobre nosso corpo físico e psíquico
Fontes
- Renato Ortiz — A morte branca do feiticeiro negro: Umbanda e sociedade brasileira (Vozes, 1978)
- Lísias Nogueira Negrão — Entre a cruz e a encruzilhada: formação do campo umbandista em São Paulo (Edusp, 1996)
- Vagner Gonçalves da Silva — Candomblé e Umbanda: caminhos da devoção brasileira (Ática, 1994)
- Olga Gudolle Cacciatore — Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros (Forense Universitária, 1977)






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