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A influência dos orixás sobre nosso corpo físico e psíquico

Figuras de orixás com suas vestes num museu de Salvador

A Umbanda acredita que os orixás não tiveram vida corpórea na Terra, mas são a representação da energia, força oriunda da natureza, e é tal força que auxilia os seres humanos nas dificuldades do dia a dia. Na Umbanda, os orixás também não incorporam (diferentemente do Candomblé); o que se vê é a manifestação dos falangeiros dos orixás, que são os guias que trabalham sob ordens de um determinado orixá. Cada pessoa recebe a influência de um orixá, que será seu protetor por toda a vida.

Uma das mais impressionantes marcas do estudo da Umbanda é a influência que os orixás exercem em seus filhos. Ou seja, aqueles que nasceram sob o manto da vibração do orixá, o que não se pode saber por data de nascimento, mas por rituais próprios da religião.

Assim como nos signos do zodíaco, atribuem-se personalidades aos filhos de determinados orixás; aliás, todo orixá influencia na personalidade de seu filho, é o que muito se fala nos terreiros umbandistas, e também na comunidade candomblecista.

O orixá influencia no campo psíquico do médium, atribuindo-lhe uma personalidade com qualidades e outros adjetivos que devem ser superados, e também no campo físico do médium, atribuindo-lhe seu biótipo. Essa influência se deve à vibração à qual todos nós estamos suscetíveis. Nos estudos kardecistas, afirma-se que, dependendo de nossa frequência vibratória, podemos estar sendo influenciados por espíritos malévolos que podem, por breves momentos, assumir nosso campo psíquico, forçando-nos a tomar atitudes que não fazem parte de nossa personalidade.

Tudo é magnetismo, tudo está disperso no Cosmos, são como frequências de rádio, e claro, estamos no meio disso tudo, onde todas essas energias e magnetismos circulam; a forma de captação depende única e exclusivamente do seu estado de espírito, de como você mesmo cria suas formas-pensamento.

Tem-se a certeza de que estamos sempre influenciados pelo campo vibratório de onde vivemos, e a vibração do orixá não é diferente. Nascemos sob a vibração de um orixá nativo; vamos pegar, por exemplo, Xangô. A frequência vibratória de um “filho de Xangô” é oriunda da energia deste orixá, consequentemente é regida pelos ensinamentos da energia de Xangô. Portanto, por algum motivo, vindo com essa energia, significa que a minha missão terrena está sob os auspícios da energia de Xangô. Aprofundando-se em alguns estudos, Xangô, além de ser o orixá da justiça, é aquele que nos impulsiona aos estudos, aquele que estimula o intelecto do seu filho, diferente de Oxóssi, este que traz consigo o conhecimento, traz a doutrina. Xangô impulsiona seus filhos a estudar justamente o que Oxóssi traz: um estimula e concede a inteligência e o outro já traz toda a sabedoria e o conhecimento pronto. Xangô é uma vibração que atua sobre advogados, escritores, o conhecimento holístico, entre outros campos de atuação.

Claro que a vibração de Xangô traz muitas qualidades além dessas que eu citei: geralmente são pessoas amigas, justas, entre outros adjetivos que não convém dizê-los para que eu não seja apologético à vaidade. Agora, com as qualidades, também se veem os problemas: geralmente são ciumentos, violentos, possessivos, orgulhosos e arrogantes. Pois bem, aí é onde começam os problemas. Muitos médiuns podem dizer: “Eu sou ciumento por causa do meu orixá”; “Ah, é culpa do meu orixá eu ser assim”, entre outras desculpas fúteis e infundadas. Aquele que está acomodado com seus problemas e não pensa em mudá-los não merece galgar os degraus da evolução. É muito fácil culpar o orixá e acomodar-se aos problemas; a verdade é que não devemos nunca ficar parados e inertes com a situação que vivemos, mas sim devemos sempre aprender, crescer e mudar, superar os nossos problemas. O fato de se acomodar com seus problemas e culpar o orixá é digno de um covarde, e infelizmente esse tipo de atribuição ainda existe em muitos médiuns umbandistas. E aquele que conhece o seu defeito e é incapaz de corrigi-lo por acomodação é muito mais ignorante que aquele que ainda não tem ciência do seu próprio problema.

O que podemos concluir é que o orixá não tem defeitos; talvez a sua vibração traga algumas tendências negativas, mas acomodar-se com essas tendências, aceitando-as como um presente do destino, foge às regras do livre-arbítrio. E vale lembrar que nenhuma influência é mais poderosa que nossa própria força de vontade.

Talvez a vibração do orixá possa sim formar o nosso caráter, mas não os nossos desvios. As qualidades que trouxemos, podem perceber, geralmente são as primordiais para a superação dos defeitos; lembrem-se disso. Jamais se deve culpar os orixás pela sua personalidade, nem tampouco pelos seus problemas. Culpem a vocês mesmos, que os seus próprios pensamentos os levaram a isso, os fizeram entrar nessa vibração; então nada melhor que nós mesmos para poder supri-los.

Em relação ao biótipo, e vamos continuar no exemplo de um filho de Xangô, é outra constante: geralmente os filhos de Xangô são troncudos, possuem uma ótima saúde e uma forte estrutura óssea, e geralmente têm tendência a engordar — e repito, tendência. Tanto no biótipo quanto na personalidade, sofremos sim certa influência desde o nascimento, mas antes dessa influência Deus nos forneceu a força de vontade e o livre-arbítrio, que podem “quebrar” essas tendências negativas das quais viemos.

Lembrem-se: o orixá não é culpado pelos seus problemas, nem pelos seus desvios, não é culpado pelo seu excesso ou falta de peso. Temos sim características provenientes da vibração à qual estamos sujeitos, isso é fato, mas a persistência e a fé, além do amor, estão acima de qualquer coisa. Não aceitem as condições desfavoráveis e nem se acomodem com os problemas. Você, e somente você, é capaz de mudar o seu mundo; o orixá é apenas um presente divino para que, com a ajuda dele, você possa crescer como ser humano.

Xangô é justiça: devo ser justo, é minha obrigação atuar com justiça para fazer jus à luz da qual eu vim, do conhecimento que acumulei em minhas existências. Devo estimular a intelectualidade — até a inteligência se expande, não é limitada nem destinada —, devo aprender para talvez passar para as pessoas. Xangô tem certa influência sobre os dons da cura; portanto, devo ser um médium que procura visar ao bem-estar físico e mental do próximo. Xangô influencia também o meio acadêmico: devo ter didática para, com o pouco que eu sei, poder instruir aqueles que iniciam sua jornada evolutiva, e assim por diante.

Sinta quais são as qualidades com que você foi presenteado para esta sua existência, sinta o porquê de você ter recebido como energia, como vibração, tal orixá. Faça jus às qualidades com as quais você veio para a Terra, cresça, torne-se a imagem dessa vibração nativa e tudo o que for ruim supere, para que “positive” essa sua vibração e que você galgue mais um degrau nas escadas da evolução.

Texto de Murilo Alves publicado originalmente no Portal Afroxé por volta de 2013.

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