Oxum é a dona das águas doces: rios, cachoeiras, lagos. É a orixá do amor, da fertilidade, da beleza, da riqueza e da diplomacia — e uma das mais amadas no Brasil. Seu nome vem do rio Òṣun, na Nigéria, que corre pela terra dos iorubás. Na cidade de Oxogbô, às margens dele, fica o Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 2005, onde todo ano, em agosto, acontece um grande festival em sua homenagem.
Quem é Oxum
Oxum é uma das iyabás, as orixás femininas (leia As Iyabás). É mãe que cuida das crianças desde a barriga, e por isso é procurada por quem deseja ter filhos. É dona do ouro e do cobre, e por isso é ligada à prosperidade. E é sábia: as histórias contam que ela conseguiu, com inteligência e charme, o que outros conseguiram pela força. Muitas tradições a apontam como uma das mulheres de Xangô, ao lado de Iansã e Obá.
O mito: sem Oxum, nada dá certo
Reginaldo Prandi reuniu uma história que mostra a força de Oxum. Quando os orixás chegaram ao mundo para organizá-lo, os homens passaram a fazer suas reuniões sem ela. Oxum, ofendida, se afastou — e, a partir daí, nada do que os orixás faziam dava certo: as mulheres não tinham filhos, as plantações não vingavam, os projetos fracassavam. Eles foram, então, perguntar a Olodumarê o que estava acontecendo. A resposta: sem Oxum e sem o poder que ela representa, nenhuma obra se completa. Os orixás pediram desculpas, chamaram Oxum de volta às decisões, e a vida voltou a florescer.
Em outra história, também registrada por Prandi, Oxum aprende o segredo do jogo de búzios. Por isso, em muitas casas, ela é lembrada quando se fala da arte da adivinhação no candomblé.
Símbolos, cores, dia e saudação
- Cores: amarelo e dourado;
- Dia: sábado;
- Saudação: Ora Yê Yê Ô!;
- Símbolo: o abebé, leque redondo de metal dourado, muitas vezes com espelho;
- Elementos: a água doce, o ouro, o mel, os peixes de rio.
Cores, dias, saudações e oferendas variam de nação para nação e de casa para casa. O que está aqui é o mais comum no candomblé de nação ketu e na Umbanda; o fundamento de cada orixá é ensinado dentro de cada terreiro, pelo sacerdote ou pela sacerdotisa da casa.
Oxum no Brasil
Oxum é muito ligada à nação ijexá — o povo de Ilexá, região do rio Oxum — e ao ritmo ijexá, tocado nos terreiros e nos afoxés da Bahia. No sincretismo, foi aproximada de Nossa Senhora da Conceição em muitos lugares, e o 8 de dezembro é dia de festa para ela em vários terreiros. Um dos terreiros mais famosos do país, o Gantois, em Salvador, foi conduzido por décadas por uma filha de Oxum, Mãe Menininha do Gantois. Na Umbanda, Oxum governa as cachoeiras e é lembrada no amor e na harmonia da família.
Cante para Oxum
Leia também
- As Iyabás
- Iemanjá: Rainha do Mar
- As principais nações de Candomblé
- A história do Candomblé no Brasil
Fontes
- Pierre Fatumbi Verger — Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo (Corrupio, 1981)
- Reginaldo Prandi — Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras, 2001)
- UNESCO — Osun-Osogbo Sacred Grove (Patrimônio Mundial, 2005)






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