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Terreiro na Liberdade é tombado como patrimônio de São Paulo

Fachada azul do Ilê Axé Oxóssi Caçador, na Rua Mazzini, Liberdade, São Paulo

Um terreiro no bairro da Liberdade, no centro de São Paulo, agora é patrimônio da cidade. O Conpresp — conselho municipal de preservação do patrimônio — decidiu pelo tombamento do Ilê Axé Oxóssi Caçador, na Rua Mazzini, reconhecendo a casa como referência cultural da Umbanda e do Candomblé na capital paulista. A resolução foi aprovada em 24 de novembro de 2025 e publicada em maio de 2026.

Mais de 60 anos de axé no mesmo endereço

O imóvel tem uso religioso desde a década de 1960. A história da casa, contada na própria resolução, passa por três fases:

  • Anos 1960: terreiro de Umbanda dirigido por Osvaldo Bonavoglia, que presidia uma federação umbandista — a casa foi registrada nela em 1970;
  • A partir de 1970: Candomblé de nação Ketu, com Pai Eduardo de Logunedé;
  • Desde 2014: sob a liderança de Pai Max de Airá, Umbanda e Candomblé convivem na mesma casa.

O conselho destacou justamente esse diálogo entre as duas tradições — em que caboclos e exus atuam como mediadores — e o papel do terreiro como espaço de resistência afro-brasileira no meio urbano.

O que o tombamento protege

Ficam protegidos o lote e as áreas usadas para o culto. Um ponto chama a atenção: a resolução pede respeito às mudanças necessárias para a vida religiosa continuar. Adaptações feitas para atender a novas exigências do culto precisam apenas ser comunicadas ao órgão de patrimônio, e as áreas de moradia ficam livres até disso. Ou seja, o tombamento não congela o terreiro: protege a casa sem impedir que o axé siga vivo.

Porto Alegre discute ser a «Cidade da Umbanda»

No Sul, a Câmara Municipal de Porto Alegre analisa o projeto de lei nº 094/26, do vereador Professor Vitorino (MDB), que declara a capital gaúcha «Cidade da Umbanda» e reconhece a religião como patrimônio histórico, cultural e imaterial do município. Segundo o texto do projeto, 6,36% dos porto-alegrenses seguem religiões de matriz africana. Até a última notícia encontrada, de agosto de 2026, o projeto ainda não tinha sido votado — uma proposta parecida, de 2021, foi barrada nas comissões por questões jurídicas.

Leia também: Umbanda: uma religião brasileira e A história do Candomblé no Brasil.

Fontes

Foto da capa: Ilê Axé Oxóssi Caçador/Divulgação — página do terreiro no Facebook.

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