Foto da capa: Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, Copacabana (RJ), 17/09/2023. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil — ver matéria original.
Imagens falsas de uma suposta oferenda no Palácio do Planalto, boatos que ligavam a primeira-dama a «rituais satânicos» e um vídeo do presidente recebendo uma homenagem num terreiro, compartilhado para pôr a fé dele em dúvida. A campanha eleitoral de 2026 voltou a usar as religiões de matriz africana como arma de ataque — e quem paga a conta, alerta um dossiê lançado em outubro, é o povo de terreiro.
O levantamento é do Idafro (Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras) e foi divulgado às vésperas do segundo turno, realizado em 25 de outubro. Segundo a reportagem da Agência Brasil que apresentou o estudo, as imagens da oferenda no Planalto foram feitas com inteligência artificial e circularam na véspera do primeiro turno.
Esse uso estigmatizante das peças atinge os povos de terreiro mesmo quando o alvo declarado é um candidato.
Idafro, no minidossiê sobre racismo religioso nas eleições de 2026
Por que isso preocupa os terreiros
Quando uma oferenda, uma gira ou a visita a um terreiro aparecem numa peça de campanha como algo vergonhoso ou perigoso, a mensagem que fica é que a fé de milhões de brasileiros é motivo de suspeita. Lideranças ouvidas pela imprensa nas últimas semanas relataram medo de ataques às casas no período eleitoral — como a ialorixá Mirela, do Ilê Axé Oxum Omolú, em Pindoretama (CE), entrevistada pelo Jornal Grande Bahia.
O documento também compara as propostas dos dois candidatos do segundo turno para a igualdade racial e o combate ao racismo religioso, a partir dos planos de governo e de registros públicos. A campanha citada no dossiê foi procurada pela Agência Brasil; até a publicação da reportagem, não havia resposta.
Os números do racismo religioso
O pano de fundo é conhecido de quem vive o axé. O Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 — e a Umbanda e o Candomblé estão entre as religiões mais atingidas. Pelo Censo do IBGE, os adeptos dessas duas religiões somam cerca de 1% da população.
Sofreu ou presenciou intolerância religiosa? Denuncie pelo Disque 100 (ligação gratuita, 24 horas, inclusive fins de semana e feriados) ou pelo WhatsApp (61) 99611-0100. A denúncia pode ser anônima.
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