Obá é a guerreira. Forte, corajosa e orgulhosa, é a orixá do rio que leva o seu nome, na Nigéria, e uma das três mulheres de Xangô, ao lado de Iansã e de Oxum. É lembrada pela força com que luta e pela intensidade com que ama — e uma das histórias mais conhecidas do candomblé fala justamente disso.
Quem é Obá
Obá é uma das iyabás, as orixás femininas (leia As Iyabás). Nas histórias, é tão forte que vence quase todos os orixás na luta. Representa a mulher que não se curva, a lealdade e a dedicação a quem ama. Pierre Verger registra que ela chegou a enfrentar Ogum numa luta e só perdeu porque ele a fez escorregar num chão preparado de propósito — a força dela, sozinha, não foi vencida.
O mito: a orelha cortada
Reginaldo Prandi registrou a história que todo terreiro conhece. Obá queria conquistar a preferência de Xangô e perguntou a Oxum qual era o segredo dela. Oxum, por astúcia, disse que tinha cortado a própria orelha e posto na comida do marido. Obá acreditou: cortou a orelha e a cozinhou no amalá de Xangô.
Quando Xangô viu a orelha no prato, ficou enojado e furioso. Obá descobriu o engano, e ela e Oxum brigaram feio. É por isso que Obá dança cobrindo o lado da cabeça com a mão ou com o pano, e que, em muitas casas, as duas não são saudadas lado a lado (leia Xangô, o orixá da justiça e do trovão).
Símbolos, cores, dia e saudação
- Cores: vermelho e amarelo (em algumas casas, vinho ou marrom);
- Dia: quarta-feira, junto de Xangô;
- Saudação: Obá Xirê!;
- Símbolos: o escudo de cobre e a espada;
- Elementos: as águas agitadas do rio, a luta, a cozinha.
Cores, dias, saudações e oferendas variam de nação para nação e de casa para casa. O que está aqui é o mais comum no candomblé de nação ketu e na Umbanda; o fundamento de cada orixá é ensinado dentro de cada terreiro, pelo sacerdote ou pela sacerdotisa da casa.
Obá no Brasil
Obá é uma orixá rara nos terreiros: poucas pessoas são iniciadas para ela, e muitas casas a cultuam sem que ela «desça». No sincretismo, foi aproximada de Santa Joana d’Arc, a santa guerreira, em algumas regiões. Na Umbanda, aparece pouco, ligada à linha de Xangô.
Cante para Obá
Leia também
- Xangô, o orixá da justiça e do trovão
- Oxum, a orixá das águas doces
- Iansã, a orixá dos ventos
- As Iyabás
Fontes
- Reginaldo Prandi — Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras, 2001)
- Pierre Fatumbi Verger — Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo (Corrupio, 1981)
- Pierre Fatumbi Verger — Lendas Africanas dos Orixás (Corrupio)






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