Iansã, ou Oyá, é a senhora dos ventos, das tempestades e dos raios. É guerreira, rápida, apaixonada — e a única orixá que não teme os mortos: é ela quem conduz os eguns, os espíritos dos antepassados. Quando o vento muda de repente, muita gente de axé saúda: Eparrei, Oyá!
Quem é Iansã
Na terra iorubá, Oyá é a dona do rio Níger, chamado pelos iorubás de Odò Oya. É uma das iyabás (leia As Iyabás) e uma das mulheres de Xangô, com quem divide o domínio do fogo e do raio (leia Xangô, o orixá da justiça e do trovão). O nome Iansã vem de Iyá omo mésàn, «mãe de nove filhos», e é justamente dessa história que nasce o seu título.
O mito: a mulher-búfalo
Pierre Verger registrou uma das histórias mais bonitas de Oyá. Ela podia se transformar em búfalo e, quando virava mulher, escondia a pele e os chifres na mata. Ogum, caçando, viu a transformação, pegou o esconderijo e, com isso, a convenceu a se casar com ele. Ela aceitou, com uma condição: ninguém poderia saber de onde ela tinha vindo.
Oyá teve nove filhos. As outras mulheres da casa, com ciúme, descobriram o segredo e passaram a zombar dela, cantando que era um bicho. Furiosa, Oyá encontrou a pele escondida, virou búfalo de novo e foi embora para a mata. Antes, deixou aos filhos os seus chifres: sempre que precisassem dela, bastaria batê-los um no outro, e ela viria em socorro.
Símbolos, cores, dia e saudação
- Cores: vermelho, coral e marrom (em algumas casas, branco e rosa);
- Dia: quarta-feira, junto de Xangô;
- Saudação: Eparrei! (Epahei, Oyá!);
- Símbolos: o eruexim, espanta-moscas de rabo de cavalo, e a espada;
- Elementos: o vento, a tempestade, o raio, o búfalo e o acarajé — o àkàrà, bolinho de fogo que ficou famoso nos tabuleiros das baianas.
Cores, dias, saudações e oferendas variam de nação para nação e de casa para casa. O que está aqui é o mais comum no candomblé de nação ketu e na Umbanda; o fundamento de cada orixá é ensinado dentro de cada terreiro, pelo sacerdote ou pela sacerdotisa da casa.
Iansã no Brasil
No sincretismo, Iansã foi aproximada de Santa Bárbara, a santa protetora contra os raios. Todo 4 de dezembro, Salvador celebra as duas na mesma festa, com missa, procissão, roupa vermelha e caruru (leia Santa Bárbara e Iansã). Na Umbanda, Iansã comanda os ventos e as almas, e é chamada para limpar e mudar o que está parado.
Cante para Iansã
Leia também
- Santa Bárbara e Iansã
- Xangô, o orixá da justiça e do trovão
- Ogum, o orixá do ferro e dos caminhos
- As Iyabás
Fontes
- Pierre Fatumbi Verger — Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo (Corrupio, 1981)
- Pierre Fatumbi Verger — Lendas Africanas dos Orixás (Corrupio)
- Reginaldo Prandi — Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras, 2001)






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