Foto da capa: celebração ao Dia de Iemanjá, praia do Arpoador, Rio de Janeiro (RJ), 02/02/2024. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil — ver matéria original.
O Brasil tem hoje 1.849.824 pessoas que se declaram da Umbanda ou do Candomblé. O número, do Censo 2022 do IBGE, é mais que o triplo do registrado em 2010: a fatia da população que segue essas religiões saltou de 0,3% para 1% (entre as pessoas com 10 anos ou mais).
Quem é o povo de axé, segundo o Censo
- Cor ou raça: 42,9% brancos, 33,2% pardos e 23,2% pretos. Entre os pretos, 2,3% seguem Umbanda ou Candomblé — a maior proporção entre os grupos;
- Mulheres são maioria: 56,7%, contra 43,3% de homens;
- Idade: o maior grupo tem de 30 a 39 anos (21,6%);
- Escolaridade: 25,5% têm ensino superior completo e 39,9% concluíram o ensino médio ou têm o superior incompleto.
A presença branca, que era de 46,7% em 2010, caiu para 42,9% — mas em números absolutos subiu de 245 mil para 794 mil pessoas. O que cresceu mais, em proporção, foi a participação de pardos e pretos. Os brancos são maioria entre os adeptos no Distrito Federal e em sete estados (Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul); na Bahia, a maioria é preta; nos demais estados, parda.
Crescimento ou coragem de se declarar?
Para quem estuda o tema, parte do salto vem de algo que o povo de terreiro conhece bem: durante muito tempo, declarar-se umbandista ou candomblecista era arriscado. Muita gente respondia «católico» ou «espírita» ao recenseador. A analista do IBGE Maria Goreth Santos associou o aumento ao movimento dos últimos anos contra a intolerância religiosa, que deu às pessoas mais segurança para se assumir.
A subnotificação no Censo das tradições de matriz africana vem devido a uma série de fatores no Brasil.
Carolina Rocha, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser)
Ou seja: o número real de pessoas que frequentam terreiros — inclusive as que se declaram de outra religião e também buscam o axé — tende a ser maior do que o Censo consegue medir.
Leia também: Religiões afro-brasileiras e A história do Candomblé no Brasil.
Fontes
- Estado de Minas — Adeptos de religiões de matriz africana triplicam no Brasil e chegam a 1% da população, diz Censo (06/2025)
- Alma Preta — Adeptos a religiões de matriz africana triplicam no Brasil; negros são maioria
- Agência Brasil — Crescimento de umbanda e candomblé reflete combate à intolerância (06/2025)






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